Revisualizando: Die Hard (ou a importância da intemporalidade enquanto quem a criou ainda possa ser congratulado)

O filme de Natal mais inusitado da história do cinema é Die Hard (com título português com todo o orgulho: Assalto ao Arranha-Céus)

Alan Rickman já não está cá para lhe agradecer. Bruce Willis ainda está, mas com a mente a prazo.

Como este pedaço de diamante filmado saiu em Julho de 1988, não há melhor prova de que “Natal é quando o Homem quiser”.

Mais respeito pela melhor e mais crua personagem de acção com cacos de vidro nos pés da história do cinema!

Como se não fosse suficiente que Bruce Willis tenha tornado John McClane uma extensão de si mesmo, este Die Hard foi realizado por John McTiernan.

A saber: McTiernan realizou Predator (1987), The Hunt for Red October (1990), Last Action Hero (1993), Die Hard with a Vengeance (1995), The Thomas Crown Affair (1999), The 13th Warrior (1999).

Por muito que a própria franquia tenha tomado uma queda acentuada com cada coisa atroz que tentaram impingir desde Die Hard 3 na provavelmente inocente tentativa de modernizar e revitalizar a marca, nada se compara à intocável primeira trilogia de onde o originador é dono e senhor reinante de tudo o que signifique Die Hard.

John McClane é muito mais que um herói de acção destinado a salvar aquelas pessoas do Nakatomi Plaza porque é um filme de acção e é assim que tem de ser.

John McClane é um gajo normal, com problemas como todos os outros, que passa as genuínas e cruas passas do Algarve onde se suporta do walkie-talkie a todos os momentos para se agarrar a uma nesga de humanidade e esperança reconfortante e motivadora da missão que tem de cumprir quando é apenas um gajo contra um autêntico esquadrão de assalto.

John McClane é honesto.

Die Hard é honesto.

Honestidade é o principal veículo de empatia que uma obra de expressão artística tem para se aproximar de quem a consuma. Este filme é a prova explosiva, balística, ensanguentada,

Há tanta coisa icónica para destacar neste filme, mas nunca, nunca, nunca me irei esquecer de como ele termina o filme completamente estraçalhado pela naturalidade do desgaste e intensidade de combater sub-equipado contra todas as probabilidades.

A sublinhar o detalhe de estar descalço por ter seguido banalmente um conselho de alguém inexpressivo ao filme para lidar com o stress e ajudar ao relaxamento e essa acção tem consequências e não é passada despercebida quando poderia ser mero detalhe estilístico.

Bruce Willis não se resume a John McClane.

Bruce Willis tentou outros filmes de acção como protagonista, mas nenhum emanou o que foi comprovado com John McClane.

Bruce Willis talvez tenha conseguido desambiguar-se de vez de algum tipo de rotulagem com The Sixth Sense (1999), mas aposto 30 “yippee-ki-yay, motherfucker” com quem quiser que Willis não se importaria nada que McClane fosse Willis até ao fim dos seus dias.

Continuação de boas-festas a todos e que a honestidade cativante da arte seja sempre um acrescento nas nossas vidas.

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