Revisualizando: Road House (ou mais um exemplo básico de excelência no entretenimento da grande tela)

Patrick Swayze é incontornável em qualquer possível lista de top-50 actores.

A sua filmografia, com acertos e flops, ecoa um facto: versatilidade.
Alguns exemplos dignos de destaque são os que se seguem:

– The Outsiders (1983): um filme de Francis Ford Coppola. Espreitem o elenco se apenas esta informação não chegar e experimentem ver este filme. Entretém.

– Red Dawn (1984): Um grupo de adolescentes arma-se para defender a cidade das forças invasoras numa perspectiva de 3ª grande guerra em que os maus estão muito fortes.

– Dirty Dancing (1987): Swayze é instrutor de dança e o seu balanço de anca faz parte de um dos clássicos românticos de sempre.

– Ghost (1990): romance, fantasmas, olaria.

– Point Break (1991): Keanu Reeves com o carisma de um portão de garagem. Patrick Swayze líder carismático de um grupo de surfistas. Assaltos a bancos.

– Donnie Darko (2001): não é sobre Swayze mas está lá metido e é um filme de culto com Jake Gyllenhaal como protagonista.

Como não há coincidências, eis que Gyllenhaal assumirá o papel de Jack Dalton no remake de Road House, a partir de dia 21 de março na plataforma Prime Video.

Mais um exemplo das décadas de 80 a 90 de como o simples com vontade resulta e entretém, Road House centra-se num “bouncer” (um particular tipo de segurança em bares e discotecas que é interventivo em arrufos e comportamentos erráticos que perturbem o decurso do entretenimento nocturno) peculiar. Jack Dalton tem um doutoramento em filosofia e é cinturão-negro em karaté. Simples e directo: um tipo profundo de reflexão e pensamento que também é bom de porrada.

O resultado: um bouncer de métodos pouco convencionais, mas eficazes que para além disto tudo, é bonitinho, charmoso e carismático que ainda por cima se nega aos prazeres da carne que lhe são oferecidos às paletes pelo ambiente em que trabalha e por ser, convenhamos, Patrick Swayze.

Escusado será dizer que este tipo de ser humano lá irrita solenemente os demais inseguros machos, incluindo o riquinho lá da zona que torna seu objectivo mandar abaixo Dalton.

…mas Dalton faz espargata enquanto medita e recita cânticos budistas. Obviamente, para quem tem como “Profissão: Duro”, não será pêra-doce de o vergar.

Este filme não é alheio a falhas e insuficiências, mas o factor-entretenimento com que nos graceja, faz que tais falhas nos remetam a gargalhar e rir e deixar passar. Afinal de contas é praticamente pouco menos de 2h de briga de bar, em fundamento.

Swayze não é um lutador. É muito mais dançarino, não fosse filho de uma coreógrafa/professora com estúdio de dança onde também lá deu a sua perninha.

Mas nota-se a insuficiência de Swayze nas sequências de combate. Mas está tudo bem. Isto não é necessariamente um filme de artes marciais, mas cá estão. Não é necessariamente um filme de acção, mas diz “presente”. Não é necessariamente um thriller de um homem contra o mundo, mas é. E com rachas no vaso, entretém.

Patrick Swayze foi um actor para entreter e não um actor para observar e envolver “almadamente” nas suas interpretações, mesmo que tenha tido tentativas mais sérias que outras.

Swayze e a sua obra deixada são acima de tudo confiáveis. Não defraudam. Caso o senhor tenha sido infeliz em falas ou filmes, é agradável aos olhos. Tem sempre com o que compensar e dissipar do que menos forte tenha em certo filme. Esta confiabilidade é também o que lhe permitiu vender-se a tanta coisa distinta, do que já mencionei a até projectos de Sci-Fi.

Finalizando a rotunda a Swayze e ao que fez, Road House é um sucesso pelos motivos certos em que os motivos errados apenas o condimentam e nos exercitam a empatia, num tempo actual de muito ênfase na percepção de perfeição.

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