Chaos Walking ou O Ruído da inobservância

O que é que The Blue Lagoon, What Women Want e The Postman têm em comum?
Nada, mas Chaos Walking encapsula elementos desconexos destes títulos para um guisado imperceptível de mensagem, sentido ou propósito no que apenas consigo assinalar como factores positivos a interpretação de Daisy Ridley e mais um desafio diferente de Tom Holland.

Neste filme de Doug Liman (Jumper, Edge of Tomorrow), com um elenco potencialmente equilibrado que não dá mais pois o sumo geral por si só é composto de polpa de talo de couve, contamos com Tom Holland no casting-tipo de rapazinho pubescente, Daisy Ridley como paralelo feminino a Holland, Mads Mikkelsen como o fiel assalariado de Hollywood e vilão desta proposta, Demián Bichir (muito bom actor há muito tempo) aqui relegado a dispositivo narrativo barato e restante elenco de suporte que, enfim, suporta.

The Blue Lagoon: Todd Hewitt (Holland) não nasceu ensinado e coube ao seu encarregado de educação (onde há uma exposição leve e de bom-gosto sobre a sua homossexualidade) passar-lhe dogmas gerais sobre sobrevivência e vida (qual Paddy Button – o marinheiro/tutor do casal de garotos de The Blue Lagoon), esquecendo-se de lhe transmitir ideias básicas e elementares de interação entre rapazes e raparigas, como se fazem bebés, enfim o básico do elementar do nuclear. Quando Todd se depara com a primeira rapariga viva que vê, descobre que tem um pénis, que este emite impulsos libidinosos ao cérebro que lhe fazem pensar em coisas que, sabe-se lá como e onde aprendeu, quer aplicar a essa rapariga. Daisy Ridley (Viola) nasceu numa nave-colónia onde aparentemente sabe um pouco mais da vida vivida sem nunca ter visto uma árvore e domina tecnologia ao nível de engenheira aeroespacial porque na verdade tem 64 anos. Ambos embarcam numa aventura de auto-descoberta acidental onde o rapazinho está sempre passos atrás nas etapas de formação de personalidade contrastando com a rapariga está facilmente a apanhar o jeito de como se manter viva neste Novo Mundo.

What Women Want: aqui há uma finta. No original de 2000 com Mel Gibson, este apanhou um choque depois de brincar de drag queen dos cosméticos e passou a ler o pensamento a todas as mulheres. Uma toada divertida sobre um professor Xavier pervertido, digamos. Neste planeta, em 2257, colonos vindos da Terra e aqui sediados são antes vítimas disso – os pensamentos dos homens são expostos visual e auditivamente para todos, porém mulheres não têm essa característica. Mulheres têm aqui o dom do resguardo. Os homens não gostam disso e há stress.

The Postman: mundo pós-apocalíptico? Confere. Meio envolvente de cinegrafia centrado esmagadoramente em floresta? Afirmativo. Tentativa rasteira e reles de atribuir futurismo a uma distopia onde impera uma transversal ignorância apesar dos tempos? Oh sim! E se achavam que estava a descrever The Postman, estão parcialmente certos. Estou também a descrever Chaos Walking.

 

Pontos positivos: Tom Holland emula o seu Peter Parker, mas são-lhe subtraídos os poderes de aranhiço, substituídos por um senso leve de Indiana Jones sci-fi, com a maldade fofa de um Pug obeso. Pese-se também que Holland tem tentado por portas e travessas abraçar tantos projectos diversos que o descolem deste ícone de sucesso, e a meu ver, em boa forma novamente. Daisy Ridley enverga bem a capa de rapariga adolescente emocionalmente madura, mais despreparada e menos resoluta de processos e execução que o seu par. É um detalhe de historieta de “coming-of-age” interessante e que me fez sorrir a espaços. A fotografia, cinegrafia e edição são bem aproveitadas para estabelecimento de ritmos. Os efeitos visuais centram-se no uso e abuso de efeito esfumado de pensamentos projectados em marca d’água, esporádicas armas-laser e umas cenas amplas de tema espacial para estabelecer que se fala do futuro e tal.

PS: Há alienígenas; uma nave espacial de ponta precisa de antena; há uma lágrima que não tinha de existir e o final é incongruente.

A masturbação para a sequela é forte e sentiu-se imediatamente. Há imensas sementes plantadas sem que nenhuma tenha dado fruto e quando assim é, só se obteve o talo quando nem couve-brava houve para o batido. 2.5 estrelas a “Chaos Watching”.


Chaos Walking
O Ruído

ANO:

PAÍS: Canadá

DURAÇÃO: 169 min.

REALIZAÇÃO: Doug Liman

ELENCO: Tom Holland, Daisy Ridley, Mads Mikkelsen

+INFO: IMDb

Chaos Walking

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