Em Demonic, Blomkamp volta a não se encontrar

Em 2009 Neill Blomkamp deu-nos, com District 9, algo muito próximo a uma obra-prima. Infelizmente nunca mais se aproximou desse nível.

Em Demonic, temos uma versão modernizada da típica história de possessões e demónios. Aqui a Igreja continua a combater as forças do oculto mas utiliza as mais avançadas armas conhecidas e tem um autêntico exército de padres especialistas em viagens até ao “outro lado”. Enquanto isso, Carly – interpretada por Carly Pope – procura enfrentar o seu passado, abrindo perigosas portas no presente. Tudo isto poderia ter sido interessante se tivesse sido feito com algum cuidado, amor e dedicação.

Nada disso parece ser o caso, uma vez que mais parece que Blomkamp apenas se quer divertir com uma tecnologia nova, dando pouca importância ao conteúdo e ao crescimento das personagens que vemos em cena. Assim como elas entram, elas terminam. Eu entendo que o realizador tenha achado piada à possibilidade de fazer algo diferente em período de pandemia, no entanto, se nos quer dar uma obra completa, não pode ser algo tão vazio, tão pouco interessante para o público em geral, que se tem que focar bastante para manter minimamente o interesse.

No papel principal, Carly Pope tenta mas nem ela é capaz de muito dadas as limitações do crescimento da sua personagem, que se limita a ir sabendo um pouco mais sobre o passado cinzento. Todos os atores secundários parecem bem secundários mesmo e nada nos é dado para nos importarmos muito com eles, pouco querendo nós saber se vivem ou morrem.

Blomkamp viaja aqui em elementos de terror, uma nova praia para ele. Uma praia onde não parece à vontade. Na maior parte do tempo, Demonic parece recorrer aos clichés habituais do género, com a agravante de muitas vezes estarmos num mundo de realidade virtual, onde esperamos que pouco aconteça aos nossos personagens. Há uma cena brilhante, no entanto, ao minuto 58, onde Sam, a principal amiga de Carly, brilha, mas é muito pouco para um filme que procurava revitalizar a carreira de Blompkamp. O realizador demonstra a sua tendência natural para o campo da ficção científica mas nem aí – surpreendentemente – consegue mostrar o seu valor, mostrando-nos elementos banais e até pouco convincentes do ponto de vista visual, sempre acompanhados por uma genérica banda sonora.

Este Demonic até tem interessantes ideias e há uma excelente cena à passagem dos 58 minutos. E é isso só. Mistura tudo e não funciona como coisa alguma. É caso para dizer “make Blomkamp great again”.


Demonic
Demonic

ANO: 2021

PAÍS: Canadá

DURAÇÃO: 104 minutos

REALIZAÇÃO: Neil Blomkamp

ELENCO: Carly Pope; Chris William Martin; Michael J. Rogers; Kandyse McClure

+INFO: IMDb

Demonic

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