Revisualizando: Pokémon: Detective Pikachu é fofo e besta!

As adaptações de games para o meio audiovisual não tem um histórico de qualidade muito alto. Foram anos de tentativas vergonhosas de trazer o universo dos jogos eletrônicos para a televisão e para a tela dos cinemas. Mas, felizmente, nos anos mais recentes, uma leva de produções de maior qualidade saíram do papel. 

No âmbito das séries, tivemos alguns dos produtos mais interessantes do gênero. A Netflix é a pioneira neste campo, tendo produzido algumas séries animadas de grande prestígio da crítica e apelo popular. Entre elas, estão o anime Cyberpunk: Edgerunners, a série do clássico Castlevania, e a inovadora animação de League of Legends, Arcane.

Já nos cinemas, apesar de não haver produções tão unânimes quanto na TV, também temos alguns bons filmes. O live action de Uncharted não é considerado uma maravilha, mas agradou razoavelmente bem o público, e o filme de Sonic, que soube ouvir os fãs e alterou o modelo do ouriço para um visual mais fiel ao original, foi tão bem recebido, que já garantiu uma sequência e confirmou um terceiro filme para concluir a trilogia.

E é dessa nova leva de adaptações de games para o cinema, que vem o filme a ser comentado aqui hoje. O muito fofo e, para mim, surpreendentemente bom, Pokémon: Detective Pikachu!

Detective Pikachu é leve, despretensioso e divertido. Ah, e também é bobo. Muito bobo.

Quando foi anunciado uma adaptação live action dos games de Pokémon para o cinema, não pude conter minha empolgação! Ainda não joguei nenhum dos jogos de Pokémon, mas sempre gostei muito do clássico anime protagonizado por Ash Katchum. Logo, a expectativa de ver a jornada de um jovem treinador Pokémon em busca de se tornar o vencedor do torneio nos cinemas era muito grande.

Mas, para o meu desânimo, como um balde de água fria, o filme foi confirmado como uma adaptação do jogo Spin-off Detective Pikachu. O icônico roedor amarelo, vestindo um chapéu de detetive, com lupa em mãos, desvendando mistérios por aí… ok.

E logo saíram os trailers do filme, e meu desânimo só aumentava. O visual era ótimo, e os pokémon estavam lindos, mas tudo tinha um ar muito tosco e o Pikachu falava… como um humano. Um homem adulto. E não qualquer homem adulto, mas com a voz de Ryan Reynolds. Simplesmente o suco da tosqueira.

Mas, apesar da relutância e, também, pela ótima repercussão do filme, decidi dar uma chance à obra. E, para a minha surpresa, adorei o que vi!

Detective Pikachu é, sim, bobo e tosco, mas tudo bem! Pois o filme tem total conhecimento dessas suas características, e funciona muito bem assim. O argumento é simples, as justificativas para tudo são risíveis, mas no quesito emocional e em relação às personagens e os laços que elas desenvolvem no decorrer do filme, Detective Pikachu é muito carismático.

E foi vendo o quão esse filme trabalha bem a bobagem e a tosqueira, que percebi que não só há espaço para Pokémon ser assim, como é assim que Pokémon deve ser tratado. Basta olhar para os games: no universo de Pokémon, ao chegar aos dez anos de idade, crianças do mundo inteiro saem sozinhas de casa, numa jornada para capturar criaturas selvagens, na intenção de treiná-las para participar de torneios de luta. Pokémon não passa de uma história besta e sem sentido que funciona como uma grande desculpa para brincar de colecionar animais bonitinhos e botá-los para brigar. Isso é o que Pokémon é, pura bobagem!

Mas, apesar disso, o argumento do filme também consegue ser bem criativo. Acontece que o universo Pokémon é repleto da fauna mais fantástica e louca de toda cultura popular, e Detective Pikachu sabe aproveitar dessa maluquice para criar situações inventivas e divertidas em seu enredo. As habilidades especiais dos monstrinhos de bolso, nos games usadas para destruir oponentes em batalha, aqui servem como ferramenta para criar firulas de ação, desenvolver plot twists no melhor estilo de filmes de espionagem, com disfarces elaborados e tudo, e, é claro, fazer rir.

O mistério que conduz a trama de Detective Pikachu não é assim tão misterioso, sendo até mesmo previsível. Porém, isso acaba não interferindo tanto no resultado final, pois o filme tem carisma de sobra. A dupla de atores Justice Smith, que vive o protagonista Tim Goodman, e Ryan Reynolds, que vive o Pikachu, tem bastante química. As duas personagens vivem a clássica dinâmica de parceiros que não se acertam muito bem no início, mas com o tempo aprendem a trabalhar juntos e respeitar um ao outro. Os atores entregam esse arroz com feijão bem feito.

E, antes de finalizar, devo admitir: Ryan Reynolds funciona muito bem como a voz do Pikachu, e a estranheza de ouvir sua voz em uma criatura tão fofa e icônica, é algo bem engraçado.

Enfim, Pokémon: Detective Pikachu não é besta como eu imaginava que seria, mas é, sim, besta como Pokémon deve ser. É também uma prova de que não é necessário seguir à risca o conteúdo de um game ao adaptar ele para as telas do cinema, basta se manter fiel a essência da obra original, para que o produto seja entregue com a qualidade e o respeito que os fãs merecem. E Detective Pikachu tem isso de sobra.

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