Revisualizando: “Diecisiete” é muito mais que um filme de cães pra chorar!

Na altura em que vi este filme, estava a escrever a lista “O Melhor Amigo do Homem: 10 Filmes de Cães que te vão fazer CHORAR!”. Como fã de filmes espanhóis, esperava ter tido sucesso na busca, e ter encontrado a última peça que me faltava na lista. Infelizmente, falhei. Este não era um filme de cães para chorar. É muito mais que isso.

Realizado pelo jovem e talentoso Daniel Sánchez Arévalo, estre drama juvenil consegue cativar-nos com a sua história, e ainda é capaz de nos emocionar.

“Diecisiete” segue a história de Héctor (Biel Montoro), um deliquente introvertido, que está há dois anos num centro de detenção juvenil. Dificilmente se relacionava com algo, ou alguém, mas um dia foi incentivado a participar numa terapia de reintegração com cães abandonados. E foi assim que ele conheceu um cão tão desonesto quanto ele. Decidiu chamá-lo “Oveja” (Ovelha), e passou as semanas seguintes a treiná-lo, acabando por ganhar algum afecto pelo cão. Esse vínculo especial acaba por ser destruído quando, meses depois, “Oveja” não aparece e ele descobre que o cão foi adoptado. Não aceitando a decisão, ele foge do centro e parte em busca do cão com a ajuda do seu irmão Ismael (Nacho Sànchez).

Para alguém que goste de animais, o filme mostra o quanto os animais conseguem ser fiéis aos seus donos. E que, por vezes, os animais podem ser um refúgio para os seus donos, ao invés do contrário. Porque neste filme, Héctor, um jovem fechado, consegue encontrar a sua felicidade em “Oveja”. Mas este filme não é apenas sobre animais. Também é sobre família e redenção. E à medida que os irmãos embarcam na sua busca por “Oveja”, na caravana de Isamel, a “roadtrip” depressa ajuda a remendar o relacionamento difícil dos irmãos. Durante a viagem eles vivem muitas aventuras juntos, enquanto se juntam para cuidar da avó doente (Lola Cordón), que ele insiste em levar para tornar os seus últimos dias memoráveis.

E é essa dinâmica familiar que torna o filme único. Héctor começa a descobrir que cada acção trará consequências, e Ismael começa a entender melhor a luta interna que o seu irmão enfrenta.

A juntar todos esses pontos temos uma enorme veia cómica que nos prende do início ao fim ao ecrã. Também tem momentos algo irónicos, funcionando como uma dose de humor e criando uma camada mais profunda aos personagens.

Na verdade, o filme não tem nada de especial. E é na sua simplicidade que ele encontra a sua maior força. Um filme de “roadtrip” que tem tantos aspectos abordados, como os laços familiares, os laços com animais, e a importância de compreender que cada acção terá as suas consequências. Tudo isto enquanto passeamos pela fotografia fantástica do interior de Espanha. No fim é um filme sentimental fantástico, alegre, e que vai oferecer incontáveis gargalhadas aliadas a sorrisos sinceros.

E, quando voltarem a ver as vossas avós, vão lembrar-se de dizer: “Não morras até que eu volte”. Mesmo que ela não consiga responder mais que um simples “Tarapara” (Veremos).

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