Revisualizando: Dinosaur não fica apenas na comoção da nostalgia!

Como já citei no meu artigo sobre alguns dos filmes que mais marcaram minha infância, Dinosaur (Dinossauro) é um filme muito marcante para mim. O longa da Disney não é apenas uma obra nostálgica que adorava assistir em uma época gostosa. Para mim, Dinosaur é um catalisador de memórias de amor e afeto familiar. É o filme mais significativo da minha vida!

Com Dinosaur, dividi medo e fascínio com meus irmãos, dei risadas com meu pai da mesma linha de diálogo todas as vezes que assistimos ao filme, e testei a paciência da minha mãe, que alugou mais de uma vez a mesma fita na locadora, pois eu e meus irmãos só queríamos saber de assistir ao “Aladar“.

Com certeza, há muitas memórias afetivas envolvidas com esse filme. Entretanto, se existe algo que aprendemos com o tempo, em relação ao período de nossa infância, é que nem tudo o que nos agradava naquela época é realmente de bom gosto. É comum revisitarmos obras queridas do nosso passado, e acabar saindo da experiência com decepção. Felizmente, esse não é o caso de Dinosaur!

Sim, eu sei, Dinosaur não é lá um grande filme. Apesar de ser carismático e visualmente bem feito, o longa sofre de problemas de narrativa e de ritmo. O filme tem uma excelente introdução, que conta com uma linda e icônica cena de abertura que mostra a jornada que Aladar, o dinossauro que protagoniza o filme, faz até seu lar adotivo, ainda dentro do ovo. Mas é ao entrar no segundo ato que Dinosaur encontra suas fraquezas. Assim que Aladar e sua família se unem a um bando de dinossauros em busca de uma terra agradável para viver, a trama acelera, sem perder tempo, em rumo à conclusão do terceiro ato. Há acontecimentos interessantes nesse apressado miolo, como uma ou outra interação entre os mocinhos da história, mas algumas personagens, como dois dos “vilões” do filme, Kron e Bruton, penam para se destacar, e acabam sendo pouco explorados. Mas, diferente do seu desenvolvimento, Dinosaur fecha seu enredo com uma emocionante e grandiosa conclusão que, apesar de não justificar as fragilidades da jornada apresentada até ali, garante ao filme a dignidade de um ótimo entretenimento, recheado de efetivos momentos emocionais e singelas e bonitas mensagens.

E bonitos, também, são os visuais do filme. Dinosaur mistura cenários reais com técnicas de animação em 3D que, apesar de estarem datadas e apresentarem visíveis problemas de textura, funcionam bem, e garantem cenas exuberantes ao longa da Disney

De toda computação gráfica utilizada no filme, o que mais impressiona, até os dias de hoje, são os modelos das grandes e espinhosas ameaças de Dinosaur: os terríveis carnotauros! Talvez eles funcionem melhor que os demais por apresentarem visuais mais realistas, não tão cartunescos como as personagens centrais da trama. E são eles, também, que protagonizam algumas das melhores cenas de Dinosaur. Acontece que os enormes predadores chifrudos de pele avermelhada nos garantem algumas belas cenas cheias de tensão e perigo, que flertam muito com o terror. Nunca me esqueço de como a cena de abertura me deixava apavorado quando mostrava o rosto do carnotauro escondido em meio às árvores. Era de arrepiar!

Pois é! Dinosaur tem seus problemas. Mas, felizmente, seus méritos falam mais alto, e sua indiscutível qualidade se sobressai. Belas e inovadoras abordagens visuais, humor, emoção e uma boa dose de terror, fazem de Dinosaur uma obra única no acervo de filmes dos estúdios Disney. “Aladar” é um filme imperfeito, de fato, mas que está longe de ser uma decepção. Muito pelo contrário! Revisitar Dinosaur é gratificante demais, pois o filme se mantém não só como uma bela conquista técnica, mas como uma obra extremamente charmosa, que supera a fácil comoção da nostalgia e emociona de forma genuína.

O pequeno Manoelzinho do passado era simplesmente fascinado por “Aladar“, o épico filme de dinossauros. O Manoel do presente entende a importância desse filme em sua vida e na vida dos que ama, mesmo que já não veja mais Dinosaur como a obra prima que antes acreditava que o filme fosse, e sabe que vai sempre carregar essa obra em algum lugar muito especial do seu coração! Dinosaur é um filme que merece cada visita que já recebeu de mim, e que virá a receber, no futuro, sempre que sentir necessário refrescar minha memória (é aqui que meu pai ri novamente).

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