Fear Street Part 2: 1978 eleva a fasquia, com mais terror, mais mortes e mais diversão

Não é o mais habitual que sequelas de filmes de terror resultem melhor do que os seus originais, mas também não é algo tão anormal quanto algumas pessoas o sugerem. Claro que gostos e preferências variam, mas eu sou um dos que, por exemplo, consideram o capítulo II de Friday 13th superior ao 1º. E é curiosa essa referência porque esta parte 2 de Fear Street é mesmo uma gigante homenagem e referência à saga Sexta-Feira 13 (o título em português) e a todos os filmes de campos de férias que fizeram sucesso nos anos 80 (Sleepaway Camp e The Burning à cabeça).

Esta sequela é, na realidade, um enorme flashback. Deena e o seu irmão, Josh, chegam à casa de C. Berman, a sobrevivente do massacre de 78 e aí ela começa a contar-lhes tudo o que aconteceu nesse verão. Entrando nesse cenário, percebemos, desde logo, que Leigh Janiak pretende explorar outras coisas neste capítulo. Não só a nível de imagem e cenários – que até diria que associamos mais ao início dos 80s – mas também a nível da sua realização e exploração de diferentes técnicas.

Este filme é mais ponderado do que o primeiro. É um filme sem pressas de chegar onde sabemos que vai chegar, não nos dando, imediatamente, sangue com fartura (dá-nos muito, mas mais à frente). A estrutura vai muito ao encontro dos filmes que pretende homenagear, com o típico incidente premonitório, antes das matanças se iniciarem, a marcar o clima do primeiro acto, com o segundo acto dedicado à abertura de hostilidades e o terceiro guardado para o pânico total. Na realização, Janiak não se inibe em apresentar dolly shots, dutch angles e vários shots em movimento, mostrando uma maior dinâmica do que em 1994. A banda sonora, por sua vez, tem uma importância tão grande quanto no primeiro filme, com vários hits a dizerem-nos claramente em que época estamos, mas é na cinematografia onde este filme, tecnicamente, alcança patamares mais altos do que o primeiro, fazendo uso total dos cenários e da natureza envolvente do campo de férias.

É verdade que este capítulo volta a ter problemas no 2º acto. Já tinha referido isso em relação a 1994 e aqui voltam a existir momentos emocionais em demasia numa altura em que já deveriamos estar na matança pura e dura, várias cabeças a rolar e nada a parar a adrenalina em crescendo. É também verdade que este é um filme menos engraçado, levando-se mais a sério do que o primeiro. Mas será isso negativo? Considero que o filme acerta mais no tom do que o primeiro capítulo, que foi maioritariamente satisfatório, mas que, por vezes, foi também demasiado teen. Não nos deixemos enganar: este continua a ser um filme de teenagers para teenagers e young adults, mas os mais velhos irão retirar daqui uma experiência mais prazerosa, através de uma atmosfera mais pesada, mais mortes violentas (apesar da melhor continuar a pertencer ao primeiro filme!) e menos escapes cómicos.

A construção de personagens foi um fator muito positivo do primeiro filme e Janiak volta a mostrar que tem jeito para isso. Tem, mais uma vez, duas ou três cenas em demasia, mas volta a construir personagens identificáveis, personagens das quais queremos saber e das quais não queremos ver as suas tripas esventradas – mas não se preocupem: há lugar para os habituais palermas de filmes de acampamentos de verão! Falando em personagens, são as irmãs Ziggy (Sadie Sink) e Cindy (Emily Rudd), que carregam este filme. Sadie Sink – a qual já a conhecemos de Stranger Things – tem uma excelente interpretação (a melhor da saga até ao momento) e mostra um grande nivel de maturidade, que permite transmitir um grande realismo ao que vemos em cena, independentemente do seu estado de espírito. O diálogo continua a não fazer parte dos pontos fortes desta trilogia, mas Sadie tem uma expressividade que suplanta quaisquer palavras não ditas. É também através dela e da relação de Ziggy com Nick Goode, que ficamos a saber mais acerca do passado daquele que virá a ser o xerife local.

Apesar de ter problemas no ritmo, este é um filme mais sangrento, mais dark e mais divertido de se ver do que o seu antecessor, avançando a acção e dando-nos importantes pistas para a conclusão da trilogia. Sadie Sink enche o ecrã em cada cena que aparece e tem a melhor interpretação da saga até ao momento.


Fear Street Part Two: 1978
Rua do Medo - Parte 2: 1978

ANO: 2021

PAÍS: EUA

DURAÇÃO: 109 minutos

REALIZAÇÃO: Leigh Janiak

ELENCO: Sadie Sink; Emily Rudd; Ryan Simpkins; McCabe Slye

+INFO: IMDb

Fear Street Part Two: 1978

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