Ghosted (ou uma comédia romântica transfigurada de thriller de acção e espionagem)


Ghosted
Ghosted

ANO: 2023

PAÍS: EUA

DURAÇÃO: 116 min.

REALIZAÇÃO: Dexter Fletcher

ELENCO: Chris Evans, Ana de Armas, Adrien Brody, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Ryan Reynolds, Mustafa Shakir, Amy Sedaris, Tim Blake Nelson

+INFO: IMDb

Ghosted

Chamei todos os nomes ao Responsável da Escrita do Fala Visual ao ter-me dado isto para ver, pelos primeiros 2,5 minutos sobre o descarado e altamente descuidado product placement à Apple. “Por quem é que ele me toma? A colocar-me a ver esta baixeza de rigor a que chamarão de filme?…” Depois tracei cenários de discussão e debandada do projecto pelos seguintes 25 minutos. “É a gota de água. Sou tão melhor que isto! Não suporto que me esteja a subjugar visualmente a uma coisa destas! Antes me pedisse para rever um Fast & Furious, já que me quer sodomizar sem me beijar antes!”. Mas a partir do 28º minuto, tudo melhora exponencialmente.

Ghosted é exactamente o que descrevi no título: uma comédia romântica assente sob um thriller de espionagem.

O que se destaca dos outros 26 projectos com o mesmíssimo nome? Não sei. Não vou mergulhar a essa toca de coelho. Não me pagam o suficiente. Mas que este Ghosted entretém muito bem, lá isso entretém.

Compreendo o ensurdecedor burburinho à volta de Ana de Armas, que aqui interpreta Sadie Rhodes, uma super-espia que diz ser curadora de arte. A mulher é lindíssima. Incaracteristicamente lindíssima. Depois de Salma Hayek, Penélope Cruz e, no seu espaço, Sofia Vergara, Ana é oficialmente a Latina na berra de Hollywood.

Depois o restante elenco de lista A2, como gosto de chamar, marca presença aqui. Anthony Mackie, Sebastian Stan, Amy Sedaris, John Cho e até as participações de Tim Blake Nelson, Ryan Reynolds dão uma perninha a esta produção do próprio Chris Evans, como Cole Turner, o agricultor sexy. Adrien Brody não conta como A2 para mim. Não deixa de ser uma personagem-caricatura, a que ele interpreta, mas está bem ao nível do que ele pavoneia nas produções de Wes Anderson.

Não há química entre Ana e Chris mas para o filme que é, chega e sobra. As restantes personagens também cumprem com o que lhes é pedido.

A acção é MUITO BEM coreografada. Gostei imenso que tivessem adaptado o estilo de combate à história da personagem de Evans com palmarés de greco-romana. Foi um toque muito bem recebido. Ana de Armas (ou a sua dupla de acrobacias) está muito bem nas sequências de acção.

A sonografia e filmografia são B, A, BA. Nada de destaque ou reparo.

Fiquei positivamente surpreendido. Como filme de lavar a loiça em que se entende tudo apenas escutando os diálogos, cumpre o seu papel.

Previous ArticleNext Article

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *