La Casa de Papel: Tóquio, Portugal e Guerra!

Uma das séries favoritas dos portugueses, La Casa de Papel, está de volta para a sua última temporada. Desde que a Netflix tomou conta da produção, esta tem sido uma das mais vistas por todo o mundo, sendo um fenómeno autenticamente global. Para esta 5ª temporada, a série foi dividida em dois volumes, cada um com cinco episódios, sendo que o primeiro já está disponível na gigante do streaming.

Chegando à temporada final, quem está no barco, está. Quem não está, já não entrará a não ser que queira “binge” tudo antes dos episódios finais. Quem está, sabe o que esperar. É uma série de assalto, com muita ação, sempre com alguns truques e surpresas nas mangas, com um bom desenvolvimento de personagens e usando a música como um dos seus elementos centrais. Em fórmula que ganha não se mexe e, felizmente, há pouca coisa diferente nesta nova bateria de episódios. O foco em questões pessoais e emocionais está cá – desde Tóquio a Manila, passando por Estocolmo – mas a ação está também presente mais do que nunca, entrando mesmo no campo de produções de guerra, tal a quantidade de munições gastas em determinados episódios. É uma temporada onde percebemos que os produtores querem mesmo gastar todas as balas que têm, pois sabem que não terão uma outra oportunidade (pelo menos, nos próximos anos…).

Nota-se neste 1° volume um menor peso do Professor, a figura central da história, que feito prisioneiro por Alicia, se vê atado de fazer o que melhor sabe. O Professor recupera o seu protagonismo na parte final deste volume, mas a grande estrela é mesmo Tóquio. A atriz Úrsula Corberó volta a mostrar porque é uma das caras principais da série, dando uma excelente profundidade à sua personagem que passa a pensar mais no coletivo do que no individual. Tem também marcantes falas que ficarão connosco para sempre, nomeadamente no que diz respeito às diferentes vidas que todos devemos viver.

Depois de anos a idolatrar os mais queridos assaltantes do mundo, é também de assinalar que a série decidiu retribuir isso. Portugal está fortemente presente neste volume, com a inclusão de filmagens em Lisboa, onde podemos ver a bandeira nacional, podemos ouvir o fado, apreciar alguns dos nossos costumes e ouvir uma grandiosa versão de “Grândola, Vila Morena”, que fecha mesmo este volume num tom dramático elevadíssimo, que fará muitos chorarem, enquanto anseiam pelo 2° volume.

É incrível o que a série muda no decorrer de apenas cinco episódios e isso também se nota na evolução dos “vilões”, que mostram também aqui as suas fragilidades. É certo que, por vezes, o Coronel Tamaio e, principalmente, Gandia, são demasiado unidimensionais, mas Alicia continua a ser um prazer de se ver cada vez que aparece em cena. Já o Arturito…deixo para verem, mas continua a ser tão irritante como sempre foi!

Não esperem, no entanto, de La Casa de Papel aquilo que não é. Têm que deixar a lógica de parte por várias vezes. Não devem pensar demasiado nas probabilidades de tudo correr como corre. Não terão muito tempo para pensar e absorver o que viram há 10, 15 minutos atrás. Algum diálogo é pouco convincente e parece ali colado para descansarmos um pouco. Podem até existir dúvidas quanto à moralidade de certos discursos e escolhas. No entanto, a série será sempre relembrada pelo que faz tão bem.

Quem gosta de La Casa de Papel, gosta pelo fator entretenimento e não pela racionalidade e nada muda aqui. Portugal está, neste volume, por todo o lado e Tóquio é a maior estrela. O 5° episódio – um dos melhores de toda a série – emociona, choca e deixa-nos ansiosos pelo volume final. A 3 de Dezembro há mais e será uma daquelas despedidas que, sabendo que é a hora certa, irá doer.


La Casa de Papel: Parte 5, Vol. 1
La Casa de Papel: Parte 5, Vol. 1

ANO: 2021

PAÍS: Espanha, Portugal

DURAÇÃO: 255 minutos

REALIZAÇÃO: Álex Pina (Criador)

ELENCO: Úrsula Corberó; Álvaro Morte; Itziar Ituño

+INFO: IMDb

La Casa de Papel: Parte 5, Vol. 1

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