Loki season 2 é a conclusão de uma jornada de 12 anos!

A segunda temporada de Loki chega para encerrar a história que teve início em 2021. Mas a série não se contenta, e entrega o desfecho de um arco de desenvolvimento de personagem que vinha sendo construído desde 2011. Algo similar era esperado, mas difícil era imaginar para Loki (Tom Hiddleston) uma conclusão, a nível de personagem, tão definitiva e emocionante.

Com o destino do Deus da Trapaça sendo selado em Avengers: Infinity War (Vingadores: Guerra do Infinito, 2018), e de forma tão significativa para sua jornada de redenção, assumo que recebi a ideia de uma série do Loki como uma péssima ideia. Pois não imaginava que a Marvel pudesse me convencer de que a personagem ainda tinha muito mais o que explorar, e de que garantir a ela um destino alternativo pudesse ser tão significativo.

Desde os primeiros episódios do primeiro ano, Loki, a série, deixa bem claro que o principal objetivo de qualquer Loki do multiverso é a busca por um propósito. Um propósito glorioso, como é dito dentro da série, através de diálogos, e fora dela, através de títulos de capítulos. Loki é um agente do caos, fadado à derrota e à desgraça. Mas o Deus das Travessuras almeja mais, e por trás de sua ambição por poder e status, existe o desespero por pertencer e importar.

Na primeira temporada, Loki encontrou um lugar para si, e pessoas para quem voltar. Na segunda, a busca é por si mesmo, e pelo sentido de sua existência. Loki confronta e é confrontado por inimigos, aliados, e a si mesmo, sejam seus eus de outros universos, ou seu eu interior. Entre aventuras ora divertidas, ora angustiantes, Loki aos poucos entende que o que é certo para si e para os demais nem sempre vem de maneira fácil, e ao fim de um dos mais bem desenvolvidos e emocionantes arcos de personagem de todo MCU, percebe o verdadeiro preço de se alcançar um propósito glorioso. É agridoce, é lindo, e merecia as telas de cinema.

Porém nem tudo são flores na série. Há uma personagem que, infelizmente, é mal aproveitada nessa temporada. Sylvie (Sophia Di Martino), a versão alternativa feminina de Loki, foi uma das personagens mais interessantes do primeiro ano do programa. Muito mais decidida e, aparentemente, bem resolvida que o protagonista, ela serviu como uma ótima ferramenta para impulsionar Loki a questionar e buscar entender o que havia ao seu redor e dentro de si. Agora, Sylvie surge como uma personagem que custa a mostrar seu verdadeiro valor para a trama, batendo na mesma tecla por boa parte do tempo que aparece em tela, e servindo apenas como um meio de desenvolvimento para as demais coadjuvantes. É triste que seu papel no enredo tenha perdido tanto impacto, mas, pelo menos, ela entrega bons momentos na reta final.

Mas, apesar disso, Loki, a série, trata muito bem suas excelentes personagens. Mobius (Owen Wilson) continua brilhante. O workaholic aparentemente contido é extremamente eficaz em fazer rir com sua eterna preocupação internalizada por sua calma externa. O engravatado é, sem dúvidas, o coração da série e, junto de Loki, forma a dinâmica de personagens mais amável e divertida do aglomerado de produções Marvel. Ouroboros (Ke Huy Quan), ou O.B., é introduzido nessa temporada, e rouba a cena logo de cara. O nerd entusiasmado e dedicado é puro carisma, e compete com o brilho de Mobius toda vez que divide com ele seu espaço de tela.

Há também os antagonistas. Victor Timely (Jonathan Majors) não é exatamente um vilão, mas a promessa de um. Na verdade, o vemos aqui como um aliado, e aí está o potencial de explorar um vilão como o Kang, que promete ser a grande ameaça do futuro do MCU. Kang é um conquistador multiversal, e sua ameaça se dá através das diversas versões de sua persona. É notável como Jonathan Majors entrega super distintas características para cada encarnação nova do antagonista, sendo Timely um completo atrapalhado que não convence ninguém de sua capacidade para o mal. Por isso, é uma pena o que ocorre nos bastidores das produções Marvel. Majors foi declarado culpado das acusações de assédio e agressão contra sua ex-namorada, então nada mais justo que cortar relações com o ator. Agora, quanto aos boatos de substituir a ameaça de Kang por outra qualquer, espero que não sejam verdadeiros. Uma re-escalação bem feita, nomeando um profissional à altura de Majors, me parece o mais certo a se fazer, tendo em vista o enorme potencial apresentado pelo vilão.

Enfim, temos também no âmbito vilanesco a inteligência artificial Miss. Minutes (Tara Strong). O relógio animado  tem uma aparência adorável, mas Miss Minutes é dotada de uma psicopatia estranhamente cativante.  A IA cartunesca, com toda sua perversidade, proporciona ao público a chance de vivenciar uma cena brutal de violência que, com uso de sugestão, garante choque sem ferir as restrições de idade impostas pela produção. Miss Minutes é terrível, e é muito divertido detestar ela.

Personagens ótimas e arcos bem resolvidos. Loki é uma série que se mantém divertida, emocionante e engajante do início ao fim, e tudo isso é envelopado por uma realização e direção de arte apuradas. O retrofuturismo e os cenários brutalistas da TVA; os diversos planetas e dimensões coloridas; a riqueza de detalhes encontrada em cada cenário e figurino.  Loki é um deleite para os olhos, e merece toda a atenção de quem a assiste.

Agora, para finalizar, devo ressaltar o trabalho daquele que é o centro de toda a série. Tom Hiddleston é Loki, e Loki é Tom Hiddleston. Ambos, personagem e ator, encaixam-se muito bem desde 2011, e ao assistir à sua série, é difícil não afirmar que Hiddleston compreendeu completamente sua persona Deus da Trapaça, e entregou um trabalho perfeito. Os olhos de Loki, eles dizem muito, e é ótimo que a realização da série tenha entendido isso. É ao buscar o olhar do protagonista que o programa encontra toda sua tensão e humanidade. E é por entender que, acima de qualquer necessidade de desenvolver um universo compartilhado coeso, o que realmente importa para uma obra são as suas personagens, que a série de Loki se destaca tanto.

O fim de uma longa jornada, e o encerramento de um arco extremamente bem resolvido. Loki trilha seu caminho sem evitar alguns tropeços, é verdade. Porém, afinal, encontra seu propósito glorioso. E ele é lindo!


Loki Season 2
Loki Temporada 2

ANO: 2023

PAÍS: EUA

DURAÇÃO: 6 episódios

REALIZAÇÃO: Justin Benson, Aaron Moorhead, Dan DeLeeuw, Kasra Farahani

ELENCO: Tom Hiddleston, Sofia Di Martino, Owen Wilson, Ke Huy Quan, Jonathan Majors

+INFO: IMDb

Loki Season 2

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