“Mr. Harrigan’s Phone” é um filme sobre deixar ir…

Não esperem um drama, nem um filme sobrenatural. Muito menos um filme de terror. Este filme não encaixa em nenhum género. Este filme é sobre crescer, sobre viver, sobre morrer. E, acima de tudo, sobre deixar ir…

No “Mr. Harrigans Phone”, a mais recente adaptação de um conto de Sthepen King, temos a história da relação entre Craig (Jaeden Martell) e o Sr. Harrigan (Donald Sutherland). O jovem, órfão de mãe, é um menino solitário que vive numa vila pequena com o seu pai. Quando o Sr. Harrigan, um velho solitário, contrata o rapaz para ler para ele, depois de o ouvir a ler na igreja da localidade. Para fugir do vazio que sente em casa, o jovem acaba por aceitar.

A relação entre os dois vai sendo cada vez mais próxima, até ao dia em que Craig oferece um iPhone ao idoso. Ele começa por recusar, mas quando percebe que pode usar o telemóvel para ler as notícias e acompanhar a bolsa de valores em directo, ele acaba por aceitar. A partir daí a relação dos dois começa a mudar. Tal e qual como acontece na escola. O filme cria aqui uma crítica interessante à dependência das pessoas com os telefones. As pessoas deixaram de falar umas com as outras, para trocar mensagens com alguém que está do outro lado da mesa. E, no caso do velhote, ele começou a perder o interesse pela literatura, começando a ficar mais disperso. Mesmo quando ele próprio sabia dos perigos que o telefone poderia trazer. Mas o “brilho” do telefone “agarrou-o” e ele já não conseguiu tirar os olhos do aparelho.

Quando o idoso morre, Craig decide enterrar o telefone junto com ele. E é aí que surge o sobrenatural já tradicional de Stephen King. O realizador John Lee Hancock, detentor de uma carreira algo irregular, com filmes muito bons, mas outros bastante “mornos”, desenvolveu de forma perfeita a relação principal do filme: O jovem e o idoso. Mas acabou por descurar no desenvolvimento dos restantes personagens, que soaram um pouco vazios. Seja o interesse romântico do rapaz, o sentimento afectivo pela professora, o pai, os amigos, ou até mesmo o bully, que nem pareceu assustador.

Um aspecto que eu destaco no filme é o cuidado em usar a crítica nada subtil aos telefones como um factor crucial no “ranking de popularidade” da escola.

O filme, entre erros e acertos, consegue segurar-nos até ao fim. Mesmo que o fim não nos traga explicações. E isso, digamos, é o maior erro de toda a história.

tantas assim…


Mr. Harrigan's Phone
Mr. Harrigan's Phone

ANO: 2022

PAÍS: EUA

DURAÇÃO: 104 min.

REALIZAÇÃO: John Lee Hancock

ELENCO: Donald Sutherland, Jaeden Martell

+INFO: IMDb

Mr. Harrigan's Phone

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