Nobody é a versão cómica de John Wick

Antes de começarmos com as comparações, mais do que óbvias, com a saga “John Wick”, vou apenas relembrar que o filme foi escrito por Derek Kolstad (Criador da saga John Wick). Dito isto, vamos começar. O filme é, basicamente um novo “John Wick”.

Por vezes as aparências iludem, e quem parece mais calmo é na verdade o mais perigoso. Hutch Mansell (Bob Odenkirk) é um homem rotineiro. Pai e marido subestimado. Uma introdução que nos remete logo á sua imagem frágil apresentada em “Breaking Bad” e “Better Call Saul”. Ele é, basicamente, um “zé-ninguém”. Até que dois ladrões invadem a sua casa e ele perde a oportunidade de se defender a si e á sua família, deixando-os ir embora. Para além do desapontamento do filho, e do afastamento da esposa, eles desconfiam do roubo de uma coleira de gato que pertence á sua filha. Nesse momento Hutch desencadeia instintos adormecidos e parte num caminho brutal que revelará os seus segredos mais obscuros e as suas habilidades letais. Depois de partir na esperança de recuperar os seus pertences, ele encontra os assaltantes, mas acaba por desistir de os magoar quando vê que está um bebé em casa. Mas a adrenalina estava lá. E ele não a desperdiçou quando viu um grupo de rapazes num autocarro, em plena madrugada, a implicarem com pessoas que estavam apenas a caminho de casa. E aí surge a melhor cena de acção dos últimos anos! Uma cena bem escrita e ainda melhor desenvolvida. Mas isso é apenas o começo. Afinal, um dos rapazes é irmão de um magnata da máfia russa. Então ele mete a sua família em segurança e derrota uma equipa inteira de assassinos que ameaçam a sua existência. 

Todo o elenco funciona bem, mas os únicos que são realmente desenvolvidos são Hutch e o vilão (Aleksey Serebryakov). E ambos se entregam de corpo e alma aos seus personagens. Para além de fazerem as suas próprias cenas de acção, entregam óptimas actuações. No entanto, Odenkirk conquista o público com o seu carisma, mas não parece suficiente para afastar a imagem de um homem frágil que nos habituou em “Breaking Bad”. 

Para além da cena do autocarro (a melhor do filme), todas as outras cenas de acção são de tirar a respiração, fazendo inveja a muitos de acção que andam aí… O filme peca apenas no tom cómico, que nem sempre resulta. É um filme curto e directo, mas não mantém a seriedade em determinadas sequências que exigiam que assim fosse. Deixa que o humor por vezes tome as rédeas quando não devia. E basicamente é isto. Quando me perguntarem o que falta a este filme para ser tão bom ou melhor que John Wick, a resposta é fácil: Reduzir o humor presente em alturas inapropriadas, que deviam ser mais levadas a sério. 

É que, para ser sincero, e sem querer estar a bater muito no “ceguinho”, por vezes achei que o filme era uma paródia de John Wick… Não percebia se era a sério, ou se era a gozar. 

Tirando isso, podemos começar a sonhar com uma conexão futura, ou até mesmo um universo de justiceiros e assassinos criados por Kolstad. Mesmo que o próprio diga que não faz parte dos seus planos. O filme, que possui uma cena pós-créditos, memso que não ganhe essa esperada conexão, deve pelo menos ganhar uma continuação. E, basicamente, é isto: Um filme do criador de John Wick com tiros, porrada e cenas de acção de cortar a respiração.

 


Nobody
Ninguém

ANO: 2021

PAÍS: EUA

DURAÇÃO: 92 min

REALIZAÇÃO: Ilya Naishuller

ELENCO: Bob Odenkirk, Aleksey Serebryakov, Connie Nielsen.

+INFO: IMDb

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