Saw X: O gore de sempre e pouco mais

De tempos a tempos, lá vem um filme que me faz duvidar de todo o mundo e questionar se viram o mesmo filme que eu. Spiral, o capítulo anterior que é tão diferente de Saw que apenas vem com a designação “From the Book of Saw”, é um filme bem melhor sob qualquer ponto de vista, mas é um filme trucidado pelo público. Apostou-se em algo diferente, sob a forma de um thriller policial com algo a dizer socialmente, trazendo de volta um manto de mistério e intriga que fazia falta desde o primeiro filme, o único que tinha apostado nessa vertente. Já este X é amado por crítica e público por fazer exatamente o mesmo que a maioria das más sequelas desta saga sempre fizeram, passando uma clara mensagem ao estúdio: arranjem lá uma forma de ressuscitar as caras conhecidas, pois é apenas isso e armadilhas elaboradas que os fãs de hoje em dia querem saber. 

De forma a trazer personagens que já há muito morreram na saga, Saw X acontece no intervalo de tempo entre o primeiro e o segundo filme. Desesperado para evitar o agravamento do seu cancro e consecutiva morte, John viaja até ao México onde lhe é prometida uma cura milagrosa. Quando a esmola é demais, o pobre desconfia. Mas em tempos de desespero, medidas desesperadas. Aí as coisas não correm exatamente como o previsto e John tem contas a ajustar, com a ajuda de uma pareceira conhecida de todos nós.

Sendo claro de início, apenas sou verdadeiramente fã do primeiro Saw. Esse é um filme atmosférico, com mistério, com suspense, sem pressas de contar a sua história e com um brilhante twist. A partir daí, a máquina foi-se tornando cada vez maior e mais ruidosa: jogos mais elaborados, em muito maior número, com uma ação bem mais rápida, quase como se fosse uma Velocidade Furiosa do gore. Este filme não foge disso. É uma sinfonia composta por um fraco guião, um péssimo diálogo, por aborrecimento e repetição dos mesmos elementos uma e outra vez, obrigando-me a consultar o relógio várias vezes. Nem sequer ainda referi todo o melodrama do primeiro ato que dura mais de meia-hora (!) numa tentativa de nos criar empatia por uma personagem que acha normal pensar em arrancar olhos de pessoas por roubarem o telemóvel de alguém. 

Há apenas dois pontos positivos em Saw X. O gore é um deles, com várias cenas com a nojice esperada da saga. A outra é Tobin Bell que tem alguns dos seus melhores momentos na sua vivência da personagem principal, embora tenho dúvidas quanto a isso ser merecido. Posso acrescentar que o final – apesar de sabermos que uma reviravolta iria acontecer – está também razoavelmente bem conseguido. Nada mais. O primeiro ato estende-se em demasia num melodrama pouco convincente. O segundo é bastante repetitivo, com todas os jogadores fechados na mesma sala, forçando-me a encarar uma palete de cores vinda diretamente de há 15 anos atrás. O terceiro ato força o que já se espera que seja forçado.

Confesso que não sou de me apegar demasiado a personagens – sou o maior fã de Scream e, para mim, Sidney já estaria mais do que morta – e por isso o tal efeito nostalgia comigo tem virtualmente zero efeito. Sou fã de histórias que me envolvam e, apesar de gostar de gore, considero que o mesmo deve servir um propósito maior e não ser ele o maior espetáculo. Quando terminei o filme, o meu relógio indicava que a minha pulsação se situava nos 52 bpm, provando que o filme muito poucas reações despertou em mim. Tenho pena para onde a saga continua a caminhar, mas a verdade é que as sequelas nunca foram demasiado do meu agrado. Que seja feita a vontade dos fãs das mesmas e que mais do mesmo continue a ser dado.


Saw X
Saw X

ANO: 2023

PAÍS: EUA

DURAÇÃO: 118 minutos

REALIZAÇÃO: Kevin Greutert

ELENCO: Tobin Bell; Shawnee Smith; Synnøve Macody Lund; Steven Brand; Renata Vaca; Michael Beach

+INFO: IMDb

Saw X

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