“Sex Education” melhora de ano para ano!

Uau! Ainda estou sem palavras… Nunca pensei que a série pudesse evoluir tanto até chegar a este ponto. Normalmente é difícil igualar ou melhorar as qualidades das primeiras temporadas, mas “Sex Education” tem sido o oposto. Cada vez melhor, de ano para ano. Uma temporada para rir, chorar, pensar, reflectir, mas acima de tudo, divertir-nos.

A terceira temporada ajudou a série a consagrar-se como uma das melhores séries da Netflix. A série criada por Laurie Nunn, que mistura drama e humor, mexe com os sentimentos de quem a vê enquanto os personagens entre alguns erros e acertos, tentam apenas viver. Para além de ser a temporada mais inclusiva de todas, todas as questões de amizade, romance, traumas, sexo e identidades trazem uma carga profunda que mostra a riqueza de cada personagem. É uma autêntica chapada de luva branca a todas as séries de adolescentes que começaram bem, mas perderam-se no caminho, como “13 Reasons Why” e “Elite”.

Depois dos eventos da segunda temporada terem garantido o apelido de “Escola do Sexo” a Moordale, Hope (Jemina Kirke) é escolhida para nova directora do colégio. Mas a sua postura rígida e as suas mudanças drásticas fizeram com que os alunos se revoltassem e lutassem (ainda mais) pela sua liberdade de expressão. Hope é a nova antagonista da série que não procura culpados e inocentes. Afinal, são apenas jovens e adultos a encarar problemas que podem afectar a vida de qualquer um.

A quarta temporada foi confirmada num evento da Netflix enquanto escrevia esta crítica, no entanto existem rumores que Maeve possa não regressar. E, se assim for, acho que não haverá problema nenhum. A série provou ser maior que qualquer personagem. E a actriz teve o final mais feliz que podia ter. E, mesmo que não fique com Otis, ambos sabem que podem contar sempre um com o outro.

A minha maior critica, e o único motivo para não dar 5 estrelas a esta temporada é o facto de nenhum casal estar a salvo. Eu já andei na escola, sei como as coisas funcionam, hoje arrastamos uma, amanhã arrastamos outra. Mas no meio de tanta gente há sempre quem encontre o amor da sua vida. Não foi o meu caso, mas aconteceu com colegas meus. Tive colegas que casaram com as namoradas da escola, tive colegas que ficaram com as namoradas da escola por anos. E na série, não. Na série parece que só esperamos o momento do término de cada relação. Fazem-nos gostar de um casal, fazem-nos torcer por esse casal, e no fim somos nós que fazemos figura de parvos! Mas pronto, foi sempre assim como podem ver neste quadro:

E, atenção, não está actualizado…

Ainda assim, isso é apenas um pormenor, uma pequena critica, naquela que foi a melhor temporada da série. E se o foi é graças ao cuidado que os argumentistas tiveram na evolução dos personagens. E, falando na evolução dos personagens, vou tentar resumir um pouco sem dar grandes spoilers:

Maeve perde um pouco o protagonismo nesta temporada, tendo mais tempo para desenvolver os seus conflitos externos e a sua “relação” com Isaac. E, falando no diabo, Isaac foi um personagem que mudou bastante aos meus olhos. Apesar de ter começado esta temporada com o estatuto de “Most Hated” depois do que fez no fim da anterior, e por ser uma entrave ao casal mais esperado pelos fãs, ele acabou por provar ser mais maturo que aquilo que parece. Com uma atitude magoada, mas fantástica no final.

Quanto a Otis, foi o oposto de Maeve. Teve mais protagonismo que nunca numa temporada onde todos foram protagonistas. Começando o ano lectivo numa relação com a rapariga mais popular da escola, Ruby, ambos cresceram muito juntos. E, mesmo não gostando muito desta relação no início (Por “shippar” [Sempre quis usar esta expressão! Acho que uma critica a uma série de adolescentes é o local ideal…] Otis+Maeve desde o principio), conseguiram partir-me o coração. Acho que cresceram muito juntos, e foi a melhor fase de ambos os personagens! A vergonha de Ruby em assumir a relação, a dificuldade em entregar-se, a vontade de mudar Otis, e a vergonha de abrir as portas da sua casa, acabaram com um dos diálogos mais emocionantes da temporada. E esse diálogo só provou a evolução e maturidade de Otis.

Eric continua a ser a alma da série. Para além de continuar a ser um melhor amigo fantástico para Otis, ele ajuda Adam, o seu namorado, a abrir-se cada vez mais. Embora o fim seja um pouco duro para ambos, percebemos que Adam ainda está a aprender a andar e a descobrir o que o faz realmente feliz (Dando um grande passo no último episódio ao lado de Madam Groof), enquanto Eric está pronto para voar.

Aimee tem de lidar com o processo de redescobrir o corpo e voltar a sentir-se segura e à vontade consigo mesmo depois do assédio da temporada anterior. Ola e Lily estão em fases diferentes da sua vida. Enquanto uma continua a viver no mundo da fantasia, a outra mantém os pés no chão, ainda mais agora que está prestes a ter uma irmã. Mas, apesar de tudo indicar um desfecho negativo (Muito negativo mesmo!), elas souberam olhar para os problemas da outra, em vez de olharem apenas para os seus.

Quanto a Jackson e Viv, tiveram alguns problemas na sua amizade. Mas nada que não seja comum nos tempos de escola. Ainda assim Jackson teve um percurso de autodescoberta ao longo da temporada, enquanto tenta descobrir quem é ao lado de Cal, uma personagem não-binária que veio aumentar ainda mais o lote de inclusão social e sexual da série!

Mas não foram só os jovens que evoluíram. Os adultos também tiveram um desenvolvimento fantástico. Jean e Jakob foram os que mais se destacaram com toda a dúvida envolta na gravidez da mãe de Otis. Maureen tenta seguir em frente após o divórcio com Michael, sem nunca deixar de apoiar o seu filho Adam. Quanto a Michael teve um dos desenvolvimentos mais notórios da série, abandonado a figura de machão irrepreensível sem afectos dos anos 60, que bate na mulher quando o Benfica perde (Neste caso deve ser quando o United perde, uma vez que estamos a falar de uma série inglesa….). Mais uma prova que, assim como fizeram com Hope (A nova directora da escola) no episódio final, nesta série não estamos à procura de culpados e vilões. Estamos apenas a ver pessoas a viverem carregando os seus próprios desafios e problemas.


Sex Education
Sex Education

ANO: 2021

PAÍS: Reino Unido

DURAÇÃO: 8 Episódios

REALIZAÇÃO: Laurie Nunn

ELENCO: Asa Butterfield, Emma Mackey, Gillian Anderson, Ncuti Gatwa.

+INFO: IMDb

Sex Education

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