Um sucesso intitulado Shang-Chi And The Legend of the Ten Rings

Somos múltiplos e diversos. E a diversidade importa. E colada à diversidade vem a necessidade de representatividade. Depois de Pantera Negra, um filme que me fez chorar por me ser tão importante, é chegado o momento da comunidade asiática ter o seu primeiro super-herói, neste universo, e o seu nome é Shang-Chi!

Representado maravilhosamente por Simu Liu, Shang-Chi é o meu mais novo super-herói preferido do Universo da Marvel e são imensos os elogios que tenho para fazer, principalmente porque este filme poderia ter sido um autêntico fiasco. Porquê? Porque tinha na sua génese a pressão de preencher vários requisitos, como por exemplo: ser representativo de uma comunidade, enxergando-a de forma precisa e fugindo dos estereótipos escarrapachados no passado; fazer com que esta linha temporal estivesse alinhada com outros filmes e séries; igualar ou superar as expetativas para as cenas de luta – afinal o protagonista é um mestre nas artes marciais; prestar uma homenagem ao cinema chinês; ser um blockbuster digno do UCM, entre outras coisas. Mas não se preocupem, o filme carregou todos os requisitos às costas pela montanha do sucesso com a mesma graciosidade das suas lutas – e não, não estou a ser irónica.

O filme começa com a narração de uma história antiga que fala sobre poder, ambição, guerras e amor. Um amor que deu origem ao nosso protagonista que, tal como o diabo foge da cruz, foge do seu passado.  Shaun vive uma vida pacata e passa a maior parte do tempo na companhia da sua melhor amiga Katy, papel de Awkwafina, no entanto, depois de serem atacados por membros da organização dos Dez Anéis – uma das melhores cenas de ação do filme e que, obviamente, me fez lembrar Speed -, o protagonista revela as suas capacidades de artes marciais. Assim Katy descobre não só que o seu melhor amigo afinal chama-se Shang-Chi, como também é filho do mandante do ataque.

Realizado por Destin Daniel Cretton, e tendo também nos papéis principais Meng’er Zhang e o fenomenal Tony Chiu-Wai Leung, Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings tem um destaque que vai para além da representatividade, este é o filme com as melhores cenas de ação da Marvel! Contrariamente ao que aconteceu no último filme que vi deste universo, falo da Viúva Negra, neste todas – e digo mesmo todas! – as cenas de luta deixaram-me tão ou mais animada do que uma criança ao abrir as prendas de Natal. Nunca imaginei que uma luta poderia ter tamanha classe ao ponto de me fazer questionar se o que estava a ver era mesmo uma cena de pancadaria ou, sei lá, uma dança contemporânea. Lutar nunca pareceu tão fácil, leve, bonito e mágico de se ver. O duelo entre os personagens de Leung e Fala Chen é e deverá ser, durante muitos anos, o mais bonito que já vi em algum filme da Marvel. Andy Cheng, a mente que comandou as coreografias, e todos os envolvidos merecem prémios, reconhecimento e muito mais! Simu Liu demonstra nos seus golpes a intensidade de um Bruce Lee e a adaptabilidade de Jackie Chan. O que eles fizeram marca um novo estilo de luta dentro do UCM que, a partir de agora, ser-me-á totalmente impossível não equiparar. Nada será melhor do que isto, a não ser, quiçá, a sua continuação. Este filme não tem só um protagonista ou uma forma de lutar completamente diferente daquilo que já vi neste universo, ele traz consigo uma personagem que é uma espécie de Pepper – Homem de Ferro – ou MJ – Homem-aranha – que é muito mais credível – pelo menos para mim – e tão bem representada por Awkwafina.

Em Shan-chi and the Legend of the Ten Rings é necessário perceber que o nome do herói não é o único que merece a nossa atenção, a parte da “lenda dos dez anéis” está ali por algum motivo e é nessa lenda que encontramos respostas a perguntas que foram deixadas em aberto em Homem de Ferro 3 e introduzidas no seu primeiro filme: afinal de contas quem é que está por trás da organização que raptou Tony Stark? Quem é o verdadeiro Mandarin e será esse o seu verdadeiro nome?

Conhecer a história do início da organização foi precioso para perceber o vilão deste filme, irrepreensivelmente tão bem representado por Leung, que foi uma das melhores revelações juntamente com Awkwafina. Se o primeiro esteve à altura de ser um vilão com tamanha densidade que, por mais monstruosos que muitos dos seus atos tenham sido até gostámos dele, a última carregou consigo a leveza e humor do filme e não foi apenas o “par romântico” ou a “donzela” em apuros, pelo contrário!

Esta obra-prima de Destin Cretton é o filme de Simu Liu que, por incrível que pareça, não é engolido pela grandeza de Leung ou pelo carisma de Awkwafina. Numa dança calorenta entre o bem e o mal, ao som de ritmos chineses, somos conduzidos para uma história cheia de conflitos internos, relações familiares mais do que complicadas e tragédias que nos catapultam para a grande descoberta: somos o resultado daqueles que nos antecedem e Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings é isso mesmo, uma fusão bem-sucedida de tudo o que ficou para trás.


Shang-Chi and the Legend of Ten Rings
Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

ANO: 2021

PAÍS: EUA, Austrália

DURAÇÃO: 2h 12min

REALIZAÇÃO: Destin Daniel Cretton

ELENCO: Simu Liu, Awkwafina, Tony Leung, Meng’er Zhang

+INFO: IMDb

Shang-Chi and the Legend of Ten Rings

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