Homenagem e fan service em Spider-Man: No Way Home

Devo admitir que, apesar de ser um grande fã do personagem, esperava pouco de Spider-Man: No Way Home (Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa). Desde o retorno de diversos vilões icônicos de versões passadas do herói, até as cenas de ação mirabolantes envolvendo magia: tudo parecia ser grandioso demais, carregado de um exagero que me afasta dos elementos que mais me atraem no Aranha, como o contato horizontal (apesar de sua verticalidade) que mantém com a cidade de Nova York e sua vizinhança. 

A sensação que o marketing de No Way Home me transmitia era a de que o longa não passava de um fan service disfarçado de filme, sem alma e livre de qualquer sensibilidade. Felizmente, eu estava enganado.

Sim, No Way Home é um grande fan service (e esse termo com certeza é a melhor definição possível para o último capítulo da trilogia Homecoming), porém, pra minha surpresa, tem muito coração. Por trás de sua trama megalomaníaca, o filme traz uma história saudosista, que abraça e entende o valor do que ficou no passado, mas, ao mesmo tempo, aceita e valoriza o novo.

Assim como a franquia em si, a trajetória de Tom Holland (Peter Parker) como o Amigão da Vizinhança é formada por acertos e erros, e, por mais que o saldo geral seja positivo, é também cercada de muitas polêmicas entre o público. Por isso, valorizo o trabalho do realizador Jon Watts e os argumentistas Chris McKenna e Erik Sommers, que parecem entender isso, ao olhar para o conjunto da obra com olhar apaixonado, porém crítico. 

Ao início do longa, Peter já passou por diversos desafios com êxito, mas ainda tem muito a aprender sobre a responsabilidade de seus atos e sobre si mesmo. É tendo isso em mente que percebo o valor da proposta ousada do argumento do filme. O envolvimento de Alfred Molina (Otto Octavius), Jamie Foxx (Max Dillon), entre outros nomes importantes da franquia, é justificado não só por funcionar como homenagem, mas também como aprendizado. É como se esses invasores de outras encarnações significassem muito mais do que uma ameaça para Peter Parker: eles são a personificação de tudo o que veio antes, todos os erros, todos os acertos. Isso tudo faz da jornada de No Way Home uma missão muito maior do que simplesmente salvar o dia. Peter tem, com essa nova ameaça, a oportunidade perfeita de se entender como herói, considerar o que deve levar adiante em sua caminhada, e o que deve deixar para trás.

No Way Home é fan service, é homenagem ao legado da história do Homem-Aranha no cinema e é, principalmente, uma celebração à essência do herói. Watts nos faz lembrar do que torna Peter Parker tão grandioso e, ainda assim, tão relacionável. Tom Holland termina sua trilogia como o Cabeça de Teia com triunfo. Molina e seus amigos de outros universos demonstram o seu valor e fazem jus à sua popularidade. Nós somos recompensados com um desfecho emocionante, que recompensa apesar de alguns deslizes ocorridos no passado, e abre caminho para um futuro que tem tudo para ser brilhante.

P.S.: como prometido, antes da costumeira nota de rodapé, digo aqui a posição do filme no meu ranking aracnídeo. No Way Home fica em 5º lugar, entre Far From Home (6º) e Homecoming (4º). Sim, não é meu favorito da trilogia. Durmam com essa.


Spider-Man: No Way Home
Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

ANO: 2021

PAÍS: EUA

DURAÇÃO: 2h 28min

REALIZAÇÃO: Jon Watts

ELENCO: Tom Holland, Zendaya, Jacob Batalon

+INFO: IMDb

Spider-Man: No Way Home

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