“Squid Game” ou os “Hunger Games” mais realistas?

Depois de ter visto “Move to Heaven”, aquela que para mim foi a melhor série de 2021, decidi dar uma oportunidade a outra série sul-coreana. “Squid Game” é uma espécie de “Hunger Games” com os pés mais assentes na Terra e nos problemas que se vivem diariamente.

“Squid Game” não precisa de criar uma sociedade distópica ou um universo paralelo para contar a sua história. Até porque a série acaba por ser uma critica à sociedade, mas já lá vamos. Pessoas falidas, desesperadas, e com a corda ao pescoço, são convidadas a participar num conjunto de jogos infantis com um prémio monetário bastante generoso. O que as 456 pessoas que aceitam participar não sabem é que, se perderem são mortos.

A história foca-se em Seong Gi-hun (Lee Jung-Jae), um homem divorciado que vive com a sua mãe e tem várias dividas relacionadas com o seu vício no jogo. Para piorar ainda tem problemas com a guarda da filha, e não tem como pagar a operação da sua mãe diabética. Quando ele entra, somos apresentados ao resto dos personagens que vão fazer parte do seu grupo: Cho Sang-Woo (Park Hae-Soo), um amigo de infância do protagonista e visto no bairro como um exemplo depois de ter frequentado a universidade mais prestigiada do país. O que as pessoas do bairro não sabem é que ele roubou bastante dinheiro aos seus clientes e é procurado pela polícia. Kang Sae-Byeok (Jung Ho-Yeon), uma jovem carteirista que participa para tirar o seu irmão do orfanato e trazer os seus pais da Coreia do Norte. Abdul Ali (Tripathi Anupam), um imigrante que não conhece os jogos infantis coreanos. Ele perdeu alguns dedos num acidente de trabalho, mas o patrão nunca lhe chegou a pagar os gastos do hospital. E Oh Il-Nam (Oh Young-Soo), o jogador mais velho da competição, que recebe bastante ajuda do protagonista, e acaba por se revelar a maior surpresa da série. Temos ainda a participação de outros personagens de destaque como Hwang Jun-Ho (Wi Há-Joon), um polícia infiltrado que procura o seu irmão enquanto tenta denunciar toda aquela carnificina aos seus superiores; Jang Deok-Su (Heo Sung-Tae), uma espécie de vilão da trama, e o personagem mais odiado da história! É um gangster que rouba o seu patrão e não tem outra alternativa a não ser refugiar-se neste jogo; E, para terminar, Han Mi-Nyeo (Kim Joo-Ryung), uma personagem que está disposta a tudo para vencer.

A série podia apostar apenas no conceito simples de matar para vencer, mas acaba por se transformar num conceito super viciante, onde se torna interessante analisar estratégias, prever comportamentos e imaginar quais serão os próximos jogos. Tudo isto com uma banda sonora impressionante, composta por músicas calmas e infantis que nos proporcionam uma enorme carnificina ao melhor estilo gore!

Mas, para além das suas qualidades técnicas e argumento bem construído, o recheio é a melhor parte deste bolo: A crítica à sociedade. Especialmente ao sistema capitalista e aos governos que vendem uma falsa democracia. Por mais que o jogo vos pareça injusto, ali dentro eles pelo menos têm uma chance de sobrevivência. Enquanto lá fora, seja por erros, ou por nascerem num lugar que roubou a sua liberdade, eles não têm escapatória. O episódio que mais marca essa critica à sociedade e o sufoco dos personagens é o episódio 2, “Inferno”, quando eles têm a oportunidade de sair do jogo, e mesmo assim a maioria escolhe voltar.


Squid Game / Round 6
Squid Game

ANO: 2021

PAÍS: Coreia do Sul

DURAÇÃO: 9 Episódios

REALIZAÇÃO: Hwang Dong-Hyuk

ELENCO: Lee Jung-Jae, Jung Ho-Yeon, Park Hae-Soo.

+INFO: IMDb

Squid Game / Round 6

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