“Estranho Mundo”, as dinâmicas (falhadas) entre pais e filhos

Um conjunto de exploradores, liderados por Jaeger Clade, parte numa missão para encontrar um futuro para a sua vila, Avalonia, e embora nem tudo corra bem, o seu mundo muda. Anos mais tarde, é necessário regressar e superar a missão anterior, pois tudo está em risco. Se esta premissa aventureira vos faz relembrar Atlântida – O Continente Perdido ou Planeta do Tesouro (ambos filmes Disney e inicio do milénio) é porque certamente tem as suas inspirações. E num filme que antecipa os 100 anos do estúdio Disney, manter o legado é certamente um dos temas recorrentes.

Mas Mundo Estranho quer ser mais do que um filme de ficção científica, sem descurar os requisitos para o ser: tecnologia, criaturas fantásticas numa realidade pouco familiar, a utopia de um presente/futuro melhor e um grande desejo de explorar as maravilhas do universo que criou. E é este mesmo desejo que catalisa a ação e que, apesar de ser por vezes previsível e contar com coincidências convenientes, nos prende a atenção ao ecrã. Num mundo onde nada é o que parece, os nossos protagonistas descobrem mais sobre o seu universo, mas, acima de tudo, discutem quem são e quem os outros esperam que sejam.

Criar e gerir expetativas não é fácil, mesmo quando nos convencemos que somos diferentes daqueles que nos julgam. Além disso, tudo piora quando vem de quem nos é mais próximo. E este drama familiar, protagonizado pelas 3 gerações Clade (Jaeger, Searcher e Ethan), coloca na balança as diferenças entre cada um e as expetativas que colocam nos outros, um desequilíbrio que apenas pode acabar quando existe aceitação. Aceitar os desejos e personalidades dos outros, bem como as mudanças que podemos fazer para sermos melhores.  

Contudo, o guião torna-se repetitivo neste aspeto, mantendo constantemente o confronto pai-filho na mesma toada, sem o desenvolver para além de um nível muito superficial. As suas atitudes já são esperadas e pouco surpreendentes, o que atrasa o desenvolvimento das personagens e resulta num final acelerado para si e com as mudanças de personalidade/opinião pouco sustentadas. Um filme feito por pais e para pais, mas que não conseguiu alcançar o potencial neste aspeto humano.

Apesar disto, as suas personagens são cativantes. Num estilo familiar à Disney, são visualmente apelativas e conseguem construir uma boa dinâmica entre si, onde nos podemos rever e identificar. Os 3 protagonista masculinos são acompanhados por Meridian (mãe de Ethan) e Callisto (presidente de Avalonia), que têm os seus momentos, mesmo que o guião não as aprofunde mais. O humor é sólido e capaz de nos fazer soltar gargalhadas, apesar de bastante direto. Para isto, podemos contar com as participações de Legend, um querido e trapalhão cão de 3 patas, e Splat, um “animal” que consegue ser mais do que simples personagem para merchandise (estou a ver-vos, minions).

Preparem-se para um filme onde as paisagens devem inspiração a Júlio Verne (Viagem ao Centro da Terra) e onde a premissa simples e pouco original apresenta um plot twist  interessante, onde as metáforas mais ou menos subtis transmitem uma crítica ambiental à atualidade, com uma mensagem de esperança. 


Strange World
Estranho Mundo

ANO: 2022

PAÍS: EUA

DURAÇÃO: 1h 42min

REALIZAÇÃO: Don Hall, Qui Nguyen

ELENCO: Jake Gyllenhaal, Jaboukie Young-White, Gabrielle Union

+INFO: IMDb

Strange World

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