The Father retrata uma realidade como nunca antes vista!

Anthony Hopkins ganhou o óscar de melhor actor com a sua interpretação em The Father e o filme foi indicado para não um, mas seis óscares! Para quem está à procura de uma boa opção de um filme para assistir, estes poderiam ser um primeiro indicador do grande potencial que ele tem. Mas ok, nem todos se guiam pelas premiações, até porque gostos são como rabos, cada um tem o seu. No entanto, neste caso específico, foi feita uma escolha certeira. Escrita por Christopher Hampton e Florian Zeller, – também realizador – o drama traz-nos uma história que mexe com as emoções, com a realidade e apresentam-nos um Anthony Hopkins e uma Olivia Colman majestosos!

Sem querer dar muitos spoilers, até porque se forem como eu, iriam espumar da boca, devo dizer-vos que ao longo do filme vão ficar com um nó no cérebro, mas pasmem: o brilhantismo da obra está mesmo aí – nesse nó. Em The Father tive a sensação de não estar apenas a ver, senti-me guiada, guiada pelo olhar do protagonista. Aqui somos expostos a uma história que nos leva a pensar sobre a vida e sobre a sua fragilidade onde o terceiro maior protagonista acaba por ser o tempo. Anthony – papel de Hopkins – é um senhor de idade cheio de vivacidade que vive sozinho no seu apartamento em Londres, uma conquista da qual se orgulha bastante. Anne – Olivia Colman – sua filha, preocupada com o seu estado de saúde procura uma nova cuidadora, uma vez que o pai arranjou uma maneira – ele tem sempre as suas maneiras – de fazer com que a anterior se despedisse. É por não reconhecer que talvez precise de ajuda que pai e filha chocam: afinal de contas, ele está ótimo e tem todas as capacidades para cuidar de si e do seu estimado apartamento, sozinho! Por sua vez, quando Anne resolve mudar-se para Paris, percebe que vai ter mesmo de encontrar alguém para ficar com o pai e então Laura é contratada. A partir daqui, somos levados por uma maratona de reviravoltas que me levaram a questionar se Anne não tinha outra roupa e, mais importante do que isso, porque é que eles comiam frango todo o santo dia! Mais tarde, percebi. Tudo se percebe…

Numa busca incessante por entender o que se está a passar à sua volta, Anthony segue uma viagem que nos mostra que tudo acaba por ser efémero, até a nossa autonomia. Sempre à procura do seu relógio que poderia simbolizar um apego ao passado, um desejo de voltar atrás no tempo, mas para onde? Talvez para uma altura onde ele tudo podia… quem sabe dançar sapateado, ser mágico ou, simplesmente, dono de si mesmo e da sua mente…

Será Anne assim tão boa? Quem é Paul? Não será aquilo tudo um golpe para que Anthony fique sem o seu apartamento? Será que estamos todos a enlouquecer? Onde é que está o relógio? Tantas perguntas. Tantas respostas graduais.

Florian Zeller é brilhante com o seu storytelling! O seu olhar – certeiro – para este filme ao deixar-nos, tal como Anthony, perdidos naquele meio faz com que tenhamos uma visão privilegiada de uma mente com demência, contada de uma forma nunca antes vista – pelo menos, não por mim.

The Father, baseado em uma das peças de Zeller, que faz parte de uma trilogia, é valioso não só para nos emocionar com a interpretação brilhante de Hopkins, ou para nos colocarmos no papel de Anne, não. O drama, serve também para, mais do que nunca, percebermos que independentemente de toda a vivacidade que outrora tivemos, o tempo passa e a velhice chega, mesmo que não estejamos prontos para a receber. E essa noção é-nos passada de uma forma gradual, dolorosa e com sabor a limão.

Tudo acaba onde começa e este filme, de uma forma meio a Benjamim Button, é exatamente assim. Um fim que nos arrasa, devasta e catapulta-nos para um início… o de Anthony.


The Father
O Pai

ANO: 2020

PAÍS: EUA

DURAÇÃO: 1h 37min

REALIZAÇÃO: Florian Zeller

ELENCO: Anthony Hopkins, Olivia Colman

+INFO: IMDb

The Father

Previous ArticleNext Article

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *