“Black Panther: Wakanda Forever” é a Despedida que Chadwick merece e muito mais!

Antes de começar a escrever, tenho de recuperar o fôlego. Aquela cena inicial, uau. Não me lembro de ter visto uma cena inicial tão boa em qualquer outro filme da Marvel. Embora este não seja o melhor filme do UCM, é o melhor filme da Marvel em 2022. Não é difícil, eu sei. Mas depois de tanto fast food, fica difícil aguentar o cardio inicial e não arrebentar pelas costuras com este funge da avó.

Ryan Coogler não mentiu quando disse que o elenco estaria todo de regresso. Mas ele enganou-nos. Não é apenas o elenco. Está mesmo tudo lá.

“Black Panther: Wakanda Forever” para além de ser a continuação do filme do Pantera Negra, é também a despedida de Chadwick Boseman do papel. O actor, como se sabe, faleceu devido a um cancro. O filme volta a ser realizado, tal como mencionado acima, por Ryan Coogler, e produzido por Kevin Feige. O foco desta vez é a Rainha Ramonda (Angela Bassett), Shuri (Letitia Wright, M’Baku (Winston Duke), Okoye (Danai Gurira) e as Dora Milage, que lutam todos para proteger a nação de Wakanda, fragilizada pela morte do Rei T’Challa e, consequentemente, o desaparecimento do Pantera Negra. Como se não bastassem as tentativas de outros países e governos para terem acesso ao poderoso vibranium, ainda surge uma nova civilização aquática e o seu rei Namor (Tenoch Huerta) para perturbarem de vez o luto dos Wakandianos. E para vencerem esta guerra, o povo de Wakanda vai precisar da ajuda de Nakia (Lupita Nyong) e Everett Ross (Martin Freeman).

O elenco é o mesmo. Com excepção de uma pessoa, que provavelmente estaria a gravar “Nope”, mas mesmo assim é referido, e a adição de novos nomes de luxo. Os personagens estão mais maduros e com as suas tramas individuais mais desenvolvidas. E a actuação? Bem, a actuação é muito melhor que no primeiro filme. Em algumas cenas até ficamos na dúvida se estão a representar ou não. Os actores sentem mesmo o momento. E o público também. Não me lembro quantas vezes me arrepiei…

O tom, como já seria de esperar, é mais pesado. Mais pesado que o tom do primeiro filme e mais pesado que o tom de qualquer filme da Marvel. Mas ainda há momentos para rir. E nem nesses momentos o filme falha, soltando gargalhadas genuínas da audiência.

A fotografia, tal como o primeiro, é exuberante. Mas este filme ainda vai mais fundo nas tradições, paisagens e no dia-a-dia em Wakanda, resultando numa fotografia mais complexa e ainda mais fascinante que o primeiro. Quanto á fotografia aquática, culpem o Aquaman por ter elevado demasiado a fasquia, mas não é assim tão boa.

Quanto à banda sonora, o primeiro filme vai mais de encontro ao meu estilo. Mas a banda sonora deste filme, embora com estilos ligeiramente diferentes, não se fica atrás. Aliás, acho que a banda sonora é fundamental para perceber as diferenças culturais e os diferentes estilos encaixaram muito bem.

O guarda-roupa, maquilhagem, e figurinos estão melhores que o primeiro. Apenas com uma ligeira crítica à maquilhagem dos “Namoritas”, como eu gosto de os chamar, que fica um pouco aquém. Afinal, o Avatar já tem 13 anos e tem uma maquilhagem que mete inveja aos seres azuis deste filme…

Para terminar, a minha apreciação é bastante positiva. Mesmo tendo em conta o desgaste do género, Wakanda permite-nos sempre sair dessa onda e entrar num mundo novo. O filme não esquece, e faz questão de voltar a trazer, o clima politico e uma perseguição de carros absolutamente boa. Também volta a apresentar tradições wakandianas. E, para além de fazer copy paste na fórmula do primeiro, tenta aproveitar um pouco da fórmula de Doutor Estranho 2, de uma rapariga em apuros que tem de ser salva (Não apenas ela, como o mundo inteiro), mas isso não é necessariamente mau. Tudo para escapar daquela fórmula original básica que já enjoou. Achei que desta vez Kevin Feige teve mais controlo e fez mais exigências do que no primeiro. Para além disso, e digo-o com as letras todas, o que mete este filme no mesmo patamar que o seu antecessor é o clima de luto. Porque o vilão fica a desejar muito… Não apenas as suas motivações, como a sua história de origem. A Marvel sabia no que se estava  a meter quando decidiu trazer um sósia do Aquaman. Mesmo assim não hesitou, e falhou. Namor ao pé de Aquaman, uma comparação inevitável, é muito fraco. E nem vamos sequer comparar com Killmonger (Michael B. Jordan), um dos melhores vilões, se não o melhor, de todo o UCM!

Não se esqueçam de conferir a cena pós-créditos após os créditos iniciais ao som de “Lift Me Up” de Rihanna, que nunca vai ser tão boa como “See You Again” de Wiz Khalifa, embora a cena de despedida seja de partir corações. O silêncio ensurdecedor que nunca nos fará esquecer Chadwick. Uma das despedidas mais marcantes da história do cinema.

O filme estreia amanhã, em todos os cinemas de Norte a Sul. Comprem já os vossos bilhetes.


Black Panther: Wakanda Forever
Black Panther: Wakanda para Sempre

ANO: 2022

PAÍS: EUA

DURAÇÃO: 161 min.

REALIZAÇÃO: Ryan Coogler

ELENCO: Tenoch Huerta, Letitia Wright, Angela Bassett, Lupita Nyong'o, Danai Gurira

+INFO: IMDb

Black Panther: Wakanda Forever

Previous ArticleNext Article

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *