Writing with Fire é necessário

Tenho uma relação muito especial com as categorias de documentários – longas ou curtas dos Óscares. Mesmo quando as obras não são cinematograficamente nada de extraordinário, elas usualmente conseguem sempre trazer para cima da mesa e para as discussões em redor do mundo algo que antes não existia, sendo documentos relevantes e necessários sobre várias problemáticos ao redor do mundo. E é isto que Writing with Fire é.

Vivemos todos em bolhas. Várias bolhas. Uns em mais bolhas do que outros. Uns a espreitar mais ao redor, mas sair das bolhas é algo que realmente ninguém faz por completo. Writing with Fire fala-nos de direitos. Direitos das mulheres, direitos de imprensa, direitos de liberdade de expressão…ou seja, direitos humanos. Há demasiadas regiões no mundo onde estes são conceitos estranhos. Onde ainda alguém é importunado por fazer perguntas. Onde a vítima é maltratada pela polícia ao ponto de parecer que a criminosa é ela. Onde mulheres são violadas e mortas por grupos de selvagens sem que haja qualquer consequência. E um desses lugares é logo um dos maiores deste planeta: a Índia.

Neste documentário também se fala sobre castas – embora de uma forma menos aprofundada do que eu gostaria -, fala-se de tradições, fala-se de ambições e sonhos que muitas mulheres têm, mas que não podem cumprir apenas e só por terem nascido num local que não as vê como o todo que são.  Entendem a quantidade de coisas que aprendi aqui? Pensando nisto, pelo conteúdo informativo até acho que este documentário deveria subir mais na minha escala de avaliação. Há, no entanto, o valor cinematográfico.

Não colocando de parte o facto de que o cinema também tem a função de educar, a verdade é que esperava um pouco mais do ponto de vista de recursos técnicos e estilísticos. Talvez Flee me tenha habituado mal com a sua animação excitante e estilo narrativo fluído. Talvez Summer of Soul me tenha dado demasiado de uma incrivelmente fascinante edição. Talvez. Esses dois são os meus documentários favoritos deste grupo de nomeados – com Attica bem lá perto com o seu ato final impactante e doloroso – e não posso dizer que Writing with Fire faça algo semelhante nesse sentido. É um documentário que cheira a documentário feita para televisão, muito genérico na forma como aborda e expõe a sua informação, seguindo a fórmula típica de um documentário comum que podemos apanhar em qualquer tarde da semana num dos canais do cabo.

Dito isto, considero esta visualização – bem como a dos outros filmes a concurso pelo prémio de longa de documentário – obrigatória. De uma forma simples e sem grandes espalhafatos, isto é o que o cinema representa: através de palavras, imagens e sons tornar o mundo um pouquinho diferente do que o era ontem. Nem que seja apenas por esse pelo fator esta obra será sempre uma vencedora.


Writing with Fire
Escrever com o Fogo

ANO: 2021

PAÍS: Índia

DURAÇÃO: 94 minutos

REALIZAÇÃO: Sushmit Ghosh e Rintu Thomas

ELENCO: Meera Devi; Shyamkali Devi; Suneeta Prajapati

+INFO: IMDb

Writing with Fire

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